BI-RADS: entenda as 7 categorias dos exames das mamas

BI-RADS é a classificação usada nos exames de imagem das mamas para comunicar o resultado e orientar os próximos passos. As categorias vão de 0 a 6: algumas indicam acompanhamento de rotina; outras pedem exames complementares, controle em intervalo menor ou biópsia. Fontes: [1], [2].

Receber um laudo com números e termos desconhecidos pode trazer insegurança. Se você abriu seu exame e ficou preocupada, respire: entender o significado da classificação é um primeiro passo para cuidar de você com mais clareza.

Neste artigo, você vai entender o que cada categoria significa na mamografia, no ultrassom e na ressonância das mamas, além de saber quais dúvidas levar à consulta. O resultado precisa ser interpretado junto com seus sintomas, sua história e os demais exames.

A sigla vem de Breast Imaging Reporting and Data System, sistema desenvolvido pelo American College of Radiology (ACR). Ele padroniza a descrição dos achados e a conclusão do exame, ajudando os profissionais a se comunicarem de forma mais consistente. Fontes: [1].

É importante saber: BI-RADS não é o estágio do câncer. Também não é uma sequência obrigatória de evolução, como se toda alteração começasse no 1 e avançasse até o 6. Cada número descreve uma situação de avaliação por imagem. Fontes: [2], [3], [4].

Você pode encontrar a expressão escrita como “BI-RADS”, “BIRADS” ou “BI RADS”. Na prática, a dúvida é a mesma: o que o resultado quer dizer e qual cuidado vem a seguir?

A tabela é um resumo. A recomendação escrita no laudo e a avaliação clínica ajudam a definir a conduta para cada pessoa. Fontes: [2], [3], [4], [6].

O BI-RADS 0 significa que a avaliação ainda está incompleta. Pode ser necessário fazer imagens adicionais, um ultrassom direcionado ou comparar o exame atual com imagens antigas. Não é uma confirmação de câncer. Fontes: [3].

Leve os exames anteriores, preferencialmente com as imagens, e não apenas os laudos. Evite guardar o resultado sem completar a investigação: o objetivo é esclarecer o achado para chegar a uma conclusão.

Categoria 1: nenhum achado suspeito identificado

O BI-RADS 1 corresponde a um exame negativo, sem alterações identificadas naquele estudo. Em geral, a orientação é manter o rastreamento conforme sua idade, seu risco e a recomendação médica. Fontes: [3], [6].

Categoria 2: alteração com características benignas

O BI-RADS 2 descreve um achado considerado benigno na imagem. Um cisto simples, por exemplo, pode receber essa classificação. Em geral, o achado não exige biópsia apenas por estar presente no laudo. Fontes: [5].

A diferença é que, na categoria 2, existe uma alteração benigna descrita. Porém, mesmo com categoria 1 ou 2, um caroço novo ou uma mudança persistente na mama merece avaliação. O exame não substitui a escuta dos sintomas. Fontes: [9].

O BI-RADS 3 reúne achados com probabilidade de malignidade de até 2%, quando a categoria é aplicada adequadamente. A estratégia costuma ser acompanhar a imagem em intervalo curto, frequentemente com primeiro controle em seis meses. O cronograma depende do achado e do contexto clínico. Fontes: [5], [6].

Isso não significa deixar a alteração sem cuidado. O acompanhamento é uma conduta ativa: permite observar sua estabilidade e identificar mudanças que exijam investigação.

Um estudo publicado na revista Radiology avaliou 43.628 mulheres que aceitaram acompanhamento após um achado mamográfico classificado como categoria 3. Em dois anos, 1,86% receberam diagnóstico de câncer. Entre os cânceres identificados, 57,8% foram diagnosticados até os seis meses, reforçando a importância do retorno no prazo orientado. Fontes: [7].

Esses dados se referem ao grupo estudado, formado por mulheres sem histórico pessoal de câncer de mama. Eles não calculam sua probabilidade individual. Se o retorno estiver atrasado, procure sua equipe para reorganizar o acompanhamento.

O BI-RADS 4 indica uma alteração suspeita, para a qual geralmente se recomenda biópsia. Suspeita não é diagnóstico confirmado. Essa categoria pode ser subdividida conforme a probabilidade de malignidade estimada pela imagem: Fontes: [2].

BI-RADS 4A: suspeita baixa, acima de 2% e até 10%.

BI-RADS 4B: suspeita intermediária, acima de 10% e até 50%.

BI-RADS 4C: suspeita alta, acima de 50% e abaixo de 95%.

Essas faixas se referem ao achado avaliado, não ao risco de desenvolver câncer ao longo da vida. Uma classificação 4A também precisa de atenção: a probabilidade menor não elimina a necessidade de investigar quando a biópsia foi indicada. Fontes: [5].

Na consulta, pergunte qual alteração motivou a classificação, qual procedimento foi recomendado e como será o retorno com o resultado. Ter um plano explicado com calma costuma tornar essa etapa menos angustiante.

O BI-RADS 5 indica uma imagem altamente sugestiva de malignidade, com probabilidade de 95% ou mais. A suspeita é elevada, e a avaliação com a mastologista deve ser organizada com prioridade, sem esperar o próximo exame de rotina. Fontes: [5].

Ainda assim, é a análise do material obtido na biópsia que confirma o diagnóstico. O número, sozinho, não determina o tipo do tumor, sua extensão ou o tratamento. Essas respostas dependem da investigação. Fontes: [8].

O BI-RADS 6 é utilizado no contexto de uma malignidade já confirmada por biópsia. O exame pode ajudar no planejamento do cuidado ou na avaliação durante o tratamento. A classificação, por si só, não informa se a doença está avançada. Fontes: [4], [6].

Se esse resultado apareceu no seu laudo, leve também o exame da biópsia e os demais documentos da investigação. Você merece entender cada etapa do cuidado e ter espaço para conversar sobre seus receios.

Sim. O sistema é usado nas três modalidades, com descrições adaptadas a cada técnica. A mamografia utiliza raios X; o ultrassom utiliza ondas sonoras; a ressonância utiliza campo magnético e ondas de rádio. Elas oferecem informações diferentes e podem se complementar. Fontes: [1], [8].

Por isso, um resultado diferente entre dois exames precisa ser analisado no contexto do achado e da recomendação de cada laudo. Leve todos à consulta, em vez de escolher apenas o resultado que parece mais tranquilizador. Fontes: [2], [4].

Não. A densidade mamária descreve a composição da mama na mamografia e pode aparecer em categorias A, B, C ou D. Essa informação é diferente da categoria de avaliação de 0 a 6. Uma mama densa pode ter um exame sem achados suspeitos. Fontes: [10].

As mamas densas podem dificultar a visualização de algumas alterações na mamografia e estão associadas a maior risco de câncer. Isso não significa que a pessoa tenha a doença. A necessidade de exames adicionais deve considerar o risco individual e os benefícios e limites de cada método. Fontes: [10].

Procure avaliação se perceber um nódulo novo na mama ou na axila, saída de secreção pelo mamilo, mudança recente no formato do mamilo, retração da pele ou outra alteração persistente. Essas mudanças merecem atenção mesmo depois de uma mamografia recente considerada normal. Fontes: [9].

A maioria das alterações nas mamas não é câncer. A consulta serve para entender o que está acontecendo e organizar o cuidado adequado, sem conclusões precipitadas. Fontes: [9].

Você também pode ler: nódulo de mama: sintomas, causas e diagnóstico e o que faz a mastologista e quando buscar avaliação.

Observe o aspecto habitual das suas mamas. O autoexame não substitui a mamografia nem a avaliação médica.

Como se preparar para conversar sobre seu resultado

Separe os laudos e as imagens atuais e anteriores.

Leve resultados de biópsias, se houver.

Anote o que percebeu na mama e há quanto tempo.

Informe seu histórico pessoal e familiar de câncer.

Pergunte qual é o próximo passo e em que prazo deve realizá-lo.

Uma pergunta útil para encerrar a consulta é: “Se eu notar alguma mudança antes do retorno, como devo proceder?”. Você não precisa sair com todas as dúvidas guardadas. Se algo não ficou claro, peça uma nova explicação.

Não é possível fazer essa comparação. A categoria 0 significa avaliação incompleta; a categoria 3 indica um achado provavelmente benigno com proposta de controle. Os números representam situações diferentes, não uma escala única de gravidade. Fontes: [2], [3].

Não. A categoria indica suspeita e necessidade de investigação, geralmente com biópsia. O diagnóstico depende da análise do material coletado. Fontes: [2], [8].

A ausência de dor não permite desconsiderar uma recomendação de investigação. O câncer de mama inicial pode não causar sintomas. Siga a orientação do laudo e converse com sua equipe sobre o prazo adequado. Fontes: [9].

Sou médica formada pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), com formação em Cirurgia Geral no Hospital São Francisco de Assis e em Mastologia no Hospital Felício Rocho. Possuo Título de Especialista em Mastologia pela Sociedade Brasileira de Mastologia, da qual sou membro titular.

No atendimento em Belo Horizonte e/ou telemedicina meu compromisso é acolher suas dúvidas, explicar os resultados com clareza e construir um plano de cuidado individualizado. Se você recebeu um laudo e precisa entender o próximo passo, podemos conversar em consulta.

Conteúdo educativo. A interpretação do seu exame e a definição da conduta dependem de avaliação médica individualizada.

[1] American College of Radiology. BI-RADS: apresentação do sistema e versão 2025.

[2] American College of Radiology. Reporting: Breast Ultrasound. Atualização de 2026.

[3] American College of Radiology. Reporting: Mammography.

[4] American College of Radiology. BI-RADS Requirements: Breast MR Module.

[5] American Cancer Society, com revisão da ASCO. Understanding Your Mammogram Report. Atualização de 2026.

[6] National Cancer Institute. Mammograms.

[7] Berg WA et al. Cancer Yield and Patterns of Follow-up for BI-RADS Category 3 after Screening Mammography Recall in the National Mammography Database. Radiology. 2020;296:32–41. DOI: 10.1148/radiol.2020192641.

[8] National Cancer Institute. How Breast Cancer Is Diagnosed.

[9] National Cancer Institute. Breast Cancer Signs and Symptoms.

[10] National Cancer Institute. Dense Breasts: Answers to Commonly Asked Questions.

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